Friday, December 21, 2012

Um tolo a fitar o céu - parte 2


Navalhas arranhavam seu corpo
O Sol queimava-lhe os membros 
A chuva encharcava suas vestes
Pois não se protegia, e nem se dava conta 
do quanto sangrava

Mas como nem tudo é frustração
E nem toda obsessão é fadada ao fracasso
Com amor no coração
E sem piedade nas ações

Finalmente trouxe um anjo abaixo
Numa queda fascinante, violenta

E sorriu
Exausto, infantil, doentio e triunfante.

Sunday, December 9, 2012

Um tolo a fitar o céu


Continuava com seu olhar aos céus
Ignorando a terra.

Absorto nas miragens que as nuvens insinuavam,
revelavam e logo escondiam, em um jogo sádico

Sofria e lutava na busca pelo inatingível
Desejava e tramava trazer abaixo o inalcançável

Pois o que havia lá em cima sempre lhe fora muito mais belo
do que o que jazia à sua volta.

Pobre tolo, não aceitava seu lugar.

Saturday, November 24, 2012

O que estou com vontade de fazer

Pegar o carro, convidar a garota do post "To you with love", (aquela que não existe), e tomar alguma estrada sem rumo nem planos.

Comer em algum posto destes de estrada, algum bem legal - que tenha uma temática Rockabilly americana ou formato de castelo e sirva macarronada.

Ir cantando alto o caminho todo - Bohemian Rhapsody, Michael Jackson, Avantasia, a abertura de Pokemon.

Ir escolhendo o caminho à medida que as placas passam. Pelo nome de cidade mais bizarro - Até não saber mais se estou no Estado de São Paulo.

Passar a noite em algum hotel de beira de estrada - onde possam acontecer coisas sobrenaturais no alto da madrugada, ou que tenha uma vista interessante do céu.

Parar em algum parque no meio do caminho - andar por entre as árvores relembrando histórias de infância dos anos 90.

Conversar com habitantes locais contando apenas mentiras - que sou um ex-presidiário em busca de vingança, ou talvez o Messias de uma religião que prega que a vida deveria ser vivida em turnos de RPG, ou quem sabe um pesquisador canadense em busca de um inseto raro da região.

... E logo a realidade me chama de volta.

"a garota não existe e você tem um freela pra entregar nas próximas horas"

Off to work, you bastard.












Tuesday, November 6, 2012

A Batalha estava perdida


Para não ficar só mimimi sentimental vou postar uma história que me ocorreu na volta da faculdade para a casa estes dias.
É longo, mas prometo que não é (muito) chato e flui rápido.

Se alguém chegar a ver isso e pular devido ao tamanho... ok! Thats how internet works. No hard feelings ;)


A BATALHA ESTAVA PERDIDA

A Batalha estava perdida, não havia mais chance de êxito. O inimigo possuía combatentes mais numerosos, domínio do terreno superior e generais igualmente valorosos.

Ao constatar o que era evidente, ao aceitar o óbvio, um soldado deixou cair sua espada. O som do metal tocando o chão soou mais alto que os gritos de esforço e cólera provenientes de nenhuma e todas as direçōes.

O bravo soldado não precisou divagar muito para visitar a memória de sua esposa e filha, pois tais pensamentos haviam estado com ele o tempo todo.

A batalha estava perdida.
Era habilidoso, viril e voraz. Certamente conseguiria levar mais uma dezena de homens antes de tombar.

Mas a batalha estava perdida. Porquê privar outros de suas esposas e filhas, se a batalha estava perdida? Homens cujo único aspecto em que diferiam dele era a cor de seu estandarte?

A mão que carregava o escudo afrouxou, e logo ele caminhava por dentre a carnificina, indiferente ao perigo, resignado à sina que erguia-se implacável a seguir.

Poderia fugir, mas seria igualmente executado pelos seus, sabia disso.

Vagou por entre os ferozes embates, portando agora apenas profunda decepção e tristeza.

Ajoelhou-se e começou a orar.
Não chamou por deus nenhum, mas por seus avós, há muito perdidos.

Alguns soldados se rendiam à visão daquele homem simples, quebrado, corajoso e miserável, de olhos cerrados e mãos unidas em um gesto quase infantil. Estes eram impiedosamente assaltados por seus rivais em investidas certeiras.

A velocidade com que a visão contagiava os exércitos se tornou, então, maior do que o caminhar da matança.

Dentro de instantes o imenso campo de batalha estava sendo percorrido pela atitude de um só.

Muitos nem sequer sabiam o porque abaixavam suas lâminas, no entanto faziam-no, nunca as quiseram brandir, de fato.

Enquanto aquele que parou a guerra ainda esperava, cego, o golpe final, a batalha cessou completamente.

Eis que então, ainda alheio ao que havia causado, abriu os olhos. E sorriu.

Viu homens sangrentos, confusos, amedrontados, indecisos. Era como se tivessem entendido a inutilidade da violência, e não sabiam reagir. De fato, nunca foram ensinados. Sorriu.

Alguns segundos mais tarde, uma lança desesperada e covarde trespassou o soldado que orava, fazendo-o expelir seus sentimentos vermelhos, que mancharam a grama e a memória.

A lenta queda de seu corpo, inerte, prestes a se tornar vazio sucedeu o furor da guerra, que acendeu e ascendeu novamente, resoluto, traidor.

Ao final daquela tarde a escuridão veio ocultar a monstruosidade que jazia disforme sobre a terra.
Pilhas de membros se projetavam gastos, inúteis. Troncos e ossos vermelhos aglomeravam-se uns sobre os outros compondo um único e imenso ser morto.
Os corpos eram idênticos em suas eternas expressōes de dor.

Exceto um, que sorria.


Monday, October 8, 2012

To you, with love



Queria dormir abraçado em você, poder tirar o cabelo do seu rosto quando ele incomodar, rir das suas piadas e te provocar, antes de te dar um presente você não esperava, mas talvez já tivesse notado na minha bolsa.
O único problema é que você não existe.

Medíocre


Aquele dia em que você se sente idiota, limitado e repetitivo, fazendo sempre as mesmas coisas, se escondendo atrás delas. Enquanto o tempo corre.

se você não tivesse morrido.


Me pergunto sempre: se você não tivesse morrido será que eu seria igual?

As coisas seriam mais alegres.

Eu, mais aberto.

O caminho, mais largo.

Nós, inteiros.