Saturday, November 24, 2012

O que estou com vontade de fazer

Pegar o carro, convidar a garota do post "To you with love", (aquela que não existe), e tomar alguma estrada sem rumo nem planos.

Comer em algum posto destes de estrada, algum bem legal - que tenha uma temática Rockabilly americana ou formato de castelo e sirva macarronada.

Ir cantando alto o caminho todo - Bohemian Rhapsody, Michael Jackson, Avantasia, a abertura de Pokemon.

Ir escolhendo o caminho à medida que as placas passam. Pelo nome de cidade mais bizarro - Até não saber mais se estou no Estado de São Paulo.

Passar a noite em algum hotel de beira de estrada - onde possam acontecer coisas sobrenaturais no alto da madrugada, ou que tenha uma vista interessante do céu.

Parar em algum parque no meio do caminho - andar por entre as árvores relembrando histórias de infância dos anos 90.

Conversar com habitantes locais contando apenas mentiras - que sou um ex-presidiário em busca de vingança, ou talvez o Messias de uma religião que prega que a vida deveria ser vivida em turnos de RPG, ou quem sabe um pesquisador canadense em busca de um inseto raro da região.

... E logo a realidade me chama de volta.

"a garota não existe e você tem um freela pra entregar nas próximas horas"

Off to work, you bastard.












Tuesday, November 6, 2012

A Batalha estava perdida


Para não ficar só mimimi sentimental vou postar uma história que me ocorreu na volta da faculdade para a casa estes dias.
É longo, mas prometo que não é (muito) chato e flui rápido.

Se alguém chegar a ver isso e pular devido ao tamanho... ok! Thats how internet works. No hard feelings ;)


A BATALHA ESTAVA PERDIDA

A Batalha estava perdida, não havia mais chance de êxito. O inimigo possuía combatentes mais numerosos, domínio do terreno superior e generais igualmente valorosos.

Ao constatar o que era evidente, ao aceitar o óbvio, um soldado deixou cair sua espada. O som do metal tocando o chão soou mais alto que os gritos de esforço e cólera provenientes de nenhuma e todas as direçōes.

O bravo soldado não precisou divagar muito para visitar a memória de sua esposa e filha, pois tais pensamentos haviam estado com ele o tempo todo.

A batalha estava perdida.
Era habilidoso, viril e voraz. Certamente conseguiria levar mais uma dezena de homens antes de tombar.

Mas a batalha estava perdida. Porquê privar outros de suas esposas e filhas, se a batalha estava perdida? Homens cujo único aspecto em que diferiam dele era a cor de seu estandarte?

A mão que carregava o escudo afrouxou, e logo ele caminhava por dentre a carnificina, indiferente ao perigo, resignado à sina que erguia-se implacável a seguir.

Poderia fugir, mas seria igualmente executado pelos seus, sabia disso.

Vagou por entre os ferozes embates, portando agora apenas profunda decepção e tristeza.

Ajoelhou-se e começou a orar.
Não chamou por deus nenhum, mas por seus avós, há muito perdidos.

Alguns soldados se rendiam à visão daquele homem simples, quebrado, corajoso e miserável, de olhos cerrados e mãos unidas em um gesto quase infantil. Estes eram impiedosamente assaltados por seus rivais em investidas certeiras.

A velocidade com que a visão contagiava os exércitos se tornou, então, maior do que o caminhar da matança.

Dentro de instantes o imenso campo de batalha estava sendo percorrido pela atitude de um só.

Muitos nem sequer sabiam o porque abaixavam suas lâminas, no entanto faziam-no, nunca as quiseram brandir, de fato.

Enquanto aquele que parou a guerra ainda esperava, cego, o golpe final, a batalha cessou completamente.

Eis que então, ainda alheio ao que havia causado, abriu os olhos. E sorriu.

Viu homens sangrentos, confusos, amedrontados, indecisos. Era como se tivessem entendido a inutilidade da violência, e não sabiam reagir. De fato, nunca foram ensinados. Sorriu.

Alguns segundos mais tarde, uma lança desesperada e covarde trespassou o soldado que orava, fazendo-o expelir seus sentimentos vermelhos, que mancharam a grama e a memória.

A lenta queda de seu corpo, inerte, prestes a se tornar vazio sucedeu o furor da guerra, que acendeu e ascendeu novamente, resoluto, traidor.

Ao final daquela tarde a escuridão veio ocultar a monstruosidade que jazia disforme sobre a terra.
Pilhas de membros se projetavam gastos, inúteis. Troncos e ossos vermelhos aglomeravam-se uns sobre os outros compondo um único e imenso ser morto.
Os corpos eram idênticos em suas eternas expressōes de dor.

Exceto um, que sorria.